sábado, 14 de abril de 2012

Delivery

desejando ruivas doces, brancas e delicadas.
Conhece?
um peito rosa, pequeno, quase um detalhe?
desejando cabelos longos, finos e ferruginosos.
Conhece?
um corpo pintadinho de amor sereno e suave.

Pra que sofrer?



Fuga simples, sem razão,
de coração despedaçado. Se foi.
Pra que voltar e pensar no que passou.
Passou. E se voltar, estarei de braços abertos
de novo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O jogo

um quebra cabeça,
de quase 30 mil peças,
está espalhado e quase perdido, entre um dry martini e
a beira da piscina, em um hotel de Copacabana.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

feriado

o cheiro da casa continua o mesmo,
engarrafado dentro do armário.
o verde voltou, com reflexos
furta-cor em abril.
minha preguiça aqui fala mais alto,
entre lagartos e pássaros;
escrevo, desejo, bebo e gozo.
nesse bosque repleto de escolhas,
me sinto bem em estar de volta.


sexta-feira, 11 de março de 2011

Dia de feira

Ela estava doente e sozinha. Vestiu um agasalho, como se aquilo fosse confortá-la do vazio e da saudade de sentir-se amada, pegou sua bolsa de palha e foi a feira comprar alecrim.

domingo, 31 de outubro de 2010

A bandeira Vermelha


perdeu-se no meio da multidão
escondeu as armas,
mostrou alguns sorrisos,
virou sangue
e venceu.


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Previsão do tempo

terça feira, madrugada, muitos peixes em lenço branco escorregam pela sala. o barulho do vento dá medo e não para.

Desjejum

Meu limoeiro secou.
o quarto está trancado.
você está no mar e
eu estou sentada, sorrindo
pro vazio.





Mandatory Field

you wont be able to keep on going
this is a mandatory field
release it! fill it up!
pull the trigger!
pay attention when I say;
"we are testing this environment"

domingo, 3 de outubro de 2010

Brincadeiras com Bach


Minha mãe aos 15 anos ganhou um piano do meu avô. Todas as tardes ela praticava suas lições, seu ouvido e seu talento naquela sala cinza, com cortinas de renda. Seis anos depois, ela trocou a liberdade que sentia com a música por um namorado. Ela namorou, casou e engravidou.

Dentro da sua barriga eu me acomodava para que ela pudesse tocar. Ali começava a nossa valsa e o nosso amor. Ali ela me mostrou os seus sonhos e inseguranças. Minha mãe dançava comigo a cada movimento de vai e vem para alcançar cada nota da partitura. Foram 9 meses assim e eu nasci.

Com meu nascimento, o tempo da minha mãe foi preenchido tentando decifrar o que era ser mãe. E, o tempo para o piano parou. Acho que o meu, de certa forma, também.

Depois de meses de reconhecimento de cada pessoa daquela casa, seus papéis dentro da minha vida, meu avô resolveu seguir sua intuição e deslizou meus pés naquelas teclas adormecidas. Não fui capaz de fazer qualquer som de tão leve que eu era. Mas, ainda hoje sinto aquela temperatura mais fria, o intervalo entre o cheio e o vazio e dos meus pés, ainda que minúsculos, trepidando com a subida e a descida das teclas.

Meu avô nesse dia pediu para que limpassem o piano e tudo voltou ao normal.

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Aos 2 anos, minha mãe vendeu o piano e eu me separei de Bach.