sábado, 14 de abril de 2012
Delivery
Conhece?
um peito rosa, pequeno, quase um detalhe?
desejando cabelos longos, finos e ferruginosos.
Conhece?
um corpo pintadinho de amor sereno e suave.
Pra que sofrer?

segunda-feira, 13 de junho de 2011
O jogo
sexta-feira, 22 de abril de 2011
feriado
sexta-feira, 11 de março de 2011
Dia de feira
domingo, 31 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Previsão do tempo
terça feira, madrugada, muitos peixes em lenço branco escorregam pela sala. o barulho do vento dá medo e não para.
Desjejum
Mandatory Field
domingo, 3 de outubro de 2010
Brincadeiras com Bach

Minha mãe aos 15 anos ganhou um piano do meu avô. Todas as tardes ela praticava suas lições, seu ouvido e seu talento naquela sala cinza, com cortinas de renda. Seis anos depois, ela trocou a liberdade que sentia com a música por um namorado. Ela namorou, casou e engravidou.
Dentro da sua barriga eu me acomodava para que ela pudesse tocar. Ali começava a nossa valsa e o nosso amor. Ali ela me mostrou os seus sonhos e inseguranças. Minha mãe dançava comigo a cada movimento de vai e vem para alcançar cada nota da partitura. Foram 9 meses assim e eu nasci.
Com meu nascimento, o tempo da minha mãe foi preenchido tentando decifrar o que era ser mãe. E, o tempo para o piano parou. Acho que o meu, de certa forma, também.
Depois de meses de reconhecimento de cada pessoa daquela casa, seus papéis dentro da minha vida, meu avô resolveu seguir sua intuição e deslizou meus pés naquelas teclas adormecidas. Não fui capaz de fazer qualquer som de tão leve que eu era. Mas, ainda hoje sinto aquela temperatura mais fria, o intervalo entre o cheio e o vazio e dos meus pés, ainda que minúsculos, trepidando com a subida e a descida das teclas.
Meu avô nesse dia pediu para que limpassem o piano e tudo voltou ao normal.
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Aos 2 anos, minha mãe vendeu o piano e eu me separei de Bach.

